terça-feira, 30 de dezembro de 2008

poema...

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Fernando Pessoa

3 comentários:

mimanora disse...

"Gira, a entreter a razão..." e a complicar-nos a vida ou não???
FELIZ 2009 Matrix e que encontres a verdade que procuras meu amigo!

Matrix disse...

A verdade é a Vida...
Apenas isso!
E nada mais!
Bom Ano Mimanora!
:)

Ti disse...

Adoro este poema dele!